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quinta-feira, 9 de junho de 2011

por Sabrina Telles

Sem ter que preferir o quente ou o frio

Estou sentindo o ser e o não-ser com uma intensidade que nunca tinha sido. Nunca foi tão um no outro e nunca foi tão claro vê-los nessa fusão. Percebo não mais a necessidade da escolha entre ser e não ser, mas sim a descoberta de ambos em meio às infinitas possibilidades.

Talvez isso seja clichê pra você, talvez já tenha isso em você a mais tempo; mas, em mim, está se traduzindo agora, como quando procuramos por um tempo, na estante, o livro maior, que está bem no meio, com as letras maiores. Não tinha visto. Simplesmente não vi.

E se fosse possível avançar, ver o livro logo de cara, se fosse possível ouvir o que seria cantado mais tarde? Devo lhe lembrar que nossas previsões estão cada vez mais precisas e nem por isso mudamos. Experimentamos sempre continuar para ver se vai dar naquilo mesmo. E devo dizer mais: quase sempre acertamos e quase sempre ocorre a incansável troca para a segunda ou terceira pessoa, como se a primeira pessoa fosse isenta de toda a responsabilidade: Por que não fizeram nada?

Pois é... Não adianta previsões, esqueça isso, não vai mudar muita coisa, não. Não concretamente. Infelizmente digo que vou continuar prevendo, porque não me excluo de vocês. Nós vamos continuar e continuar seja talvez o único o motivo predefinido da nossa existência.

Não, não estou hasteando a bandeirinha da inércia. Não estou excluindo eu mesma e todo o meu antes. Estou me incluindo em algo maior que eu. Estou apenas vendo finalmente o livro que estava procurando e querem saber? Esse finalmente não é tão válido. Nessa procura, vi outros livros igualmente interessantes. Gostei do que achei, mas também de outros.

Isso não significa que a busca por ele carrega em si tempo perdido, pelo contrário: Agora, percebo os outros, as outras possibilidades. Percebo que ser e não-ser são partes da mesma procura. Agora, vou apenas provando o quente e o frio,  as vezes na mesma proporção, as vezes não. Sem pré preferir, sem pré aprovar, sem pré conceitos.

segunda-feira, 9 de maio de 2011

por Sabrina Telles

Sobre eu mesma outra pessoa

O que estava por perto se contaminou pelo mesmo ar volátil de superioridade. E, diferente da regra, se evaporou voltando ao antes. Antes não é a inferioridade. Antes é a não vontade de ser mais, de expansão, é o não sentimento de ebulição, é o não dramático. Não havia nada que se condensasse quando era antes, não havia nada que se expandisse. Não havia guia, não segurava as próprias rédeas, o mundo era de outro. Alguém que assistia conduzia da forma mais conveniente; alguém que escrevia monopolizava o roteiro. E assim se encontrava sem montaria e sem palavras; sendo outra. Não era toda, era apenas uma parte.

E, agora, o que é se orgulha de o ser. (O ar não tem mais a superioridade volátil, que às vezes contaminava, nem é mais como era antes). Agora percebe-se com um novo olhar para que não haja espanto quanto às próprias formas de agir, para que as próprias sensações não sejam tão asssutadoras. Ao mesmo tempo, há uma tentativa persistente de valorizar o surpreendente. Sente-se inteira para que possa sentir a tudo sem máscaras, sem restrições inúteis. As possibilidades são novas possibilidades que se ramificam em mais e mais possibilidades. (Mas isso é bom? Talvez... o que acha? Eu acho que sim. Pelo menos, é útil à felicidade. Então deixa assim mesmo.)

E depois? Depois, haverá o mundo rendido aos pés. O alcance será do mesmo tamanho da experiência, da quantidade de coisas vividas: um livo de memórias com crônicas e novelas e contos escrito pelas próprias mãos e pelos próprios olhos. Depois, o retorno será inevitável e se romperá a própria compreensão de que a história é o passado, porque o instantâneo e a vida serão cúmplices. Sentirá o prazer de ter sempre existido da forma como existiu, como se renovou, como se debruçou sobre seu eu. Depois será tudo em si mesma e perceberá que assim sempre foi, e, simplesmente, não sabia.

terça-feira, 3 de maio de 2011

por Patrícia Soares

 
Por não sermos tartarugas
nem sermos outros senão humanos

O que busca? A felicidade? E essa emerge da vivência ou da sobrevivência? Todas as noites, colocamos nossa cabeça sobre nossos sonhos e desejos. Pensamentos que nos movem e nos faz levantar cedo antes mesmo do sol nos ver.
O homem só precisa daquilo que ele pode carregar? O homem precisa ser. O homem precisa apenas ser. De vez 'enquando' nos enchemos de esperança e sorrimos. Criamos divindades. De vez 'enquando' nos fechamos para o mundo e sua complexidade, e sua falta de vida. Nos prendemos dentro de falsas cores, falsas visões, falso calor.
Em que devemos acreditar? O que devemos amar? Nosso controle sobre a verdade [nós mesmos] é um frágil fio. Que liga o consciente ao inconsciente. Mas não sabemos reger o fio. Se Beethoven regesse o fio acredito que não o manipularia a favor da surdez. Não sabemos mover o fio. Não temos que saber. Não podemos saber. Sobrevivemos com o que controlamos. Mas é com ausência de controle que conseguimos viver.


por Patrícia Soares
Assumir
[Do lat. assumere.]
V. t. d.
1. Tomar sobre si ou para si; avocar:
2. Chamar a si, assumir a responsabilidade de; ficar como responsável por.
----------------------------------------
Assumo! Assumo todos os fatos. Todas as escolhas e suas conseqüências. Entrego-me a mim mesma e resigno-me ao que realmente sou. Meu sou que não se define, transgride e remodela-se. Meu sou que está no presente, no passado e se apresenta reticencioso. No sou admito minhas imperfeições e as trago para serem evidenciadas. Escondê-las seria um equívoco. Contrariaria meu (in) consciente. Trairia meu eu (in) consistente. Consistência na qual me baseio. Inconsistência que me faz reciclar e adaptar. Assim me apresento, sem certezas e com todas as certezas possíveis até então.
por Patrícia Soares

"Anda cá!"? Não.


Entendi.

Afaste-se! É a palavra da vez. Nada de sentir, nada de ver, nada de nada. Concretize o vazio que já existia e deixe-me viver. Sem ter o que já não tinha? Não, sem ter o que já não possuí. Talvez a poeira leve que é a ilusão tenha assentado sobre mim e nem notei. Chega do não sei esconder nada de você, enquanto tudo não era dito feito. Chega.


Até um dia.

quarta-feira, 30 de março de 2011

por Sabrina Telles


Intrisecamente
O tempo vai se escoando, virando história,
enquanto
o mundo desespera,  virando drama.
O céu desaba, virando lama.
O som, no ouvido, se derrama.
O choro silencioso
da criança
merece o mundo
que,                          tranquilamente,
descansa.


O Se se tornou o Quando
O Quando formou o Porquê
Porquê não se explica
e cria
a aceleração que nos move
e nos corroe
e nos comove 
e nos                                distancia
de nós mesmos
e de outros
iguais a nós
que esperam sem saber pelo quê
que virou o Como
que desconhece o impossível:
o que antes tinha o limite do desconhecido
se amplia
                                 a cada segundo.
E nada se movimenta,
                                    virando tudo;
E tudo se desfaz, virando aquilo que não devia ser inventado
Ou (o) que só tinha essa mesma forma de ser.


*A imagem: Moscovo I, de Wassily Kandinsky, 1916, óleo sobre tela.

quarta-feira, 23 de março de 2011


...E ainda veremos as estrelas na cidade


Sempre dizemos a nós mesmos que não há nada que possamos fazer, porque a humanidade já nos destruiu e tal. Colocamos a culpa no passado, deixamos a responsabilidade para o futuro. É típico de nós humanos. Esse comodismo absurdo é típico de nós. As vezes, cansa...

Pois então, dessa vez, você pode fazer algo para o PLANETA e no PRESENTE !!!
Chega espanta, né? É a falta de costume...

No dia 26/03, das 20h30min às 21h30min,
 desligue todas as luzes de onde estiver!

Esse é um ato simbólico para traduzir nossa preocupação com o aquecimento global. A campanha já tem o apoio de várias e várias empresas e, no Brasil, algumas capitais, como Curitiba e Palmas, já se comprometeram em desligar as luzes dos seus centros turísticos. Em 2010, mais de um bilhão de pessoas aderiram! Esse ano seremos mais!

quarta-feira, 2 de março de 2011

por Sabrina Telles

Como se o mundo fosse um espelho
(ou Palavras Permitidas II)


Eu tenho palavras porque eu tenho você em mim e não há como deslizar sobre isso fingindo ilusão. E ter palavras talvez seja a única coisa exatamente eu: minha exposição. A imagem que construo, a minha presença, a sua presença. Porque você é a imagem que tenho em mim. Você sou eu. Então tudo sou eu? Como se o mundo fosse um espelho, como se a vontade de ser, enlaçada à necessidade de não se sentir só, criasse o mundo. O que não existe é porque não se tem a necessidade que exista. Não é assim? Acho que tudo foi e que será só se for preciso. Não é assim? Desculpem a filosofia barata que não passa de um joguinho redundante de palavras, mas é o grito interno de Clarice* em mim que se manifesta com essa humilde simplicidade; é porque tudo se externa meio sem controle, sai meio sem compasso, numa desarmonização quase sempre imprevisível. E eu não consigo desistir disso. Se não há o novo, eu repito o antes. É tão vital.
Posso escrever a palavra "vida" todo dia que as respostas em mim se diferenciarão. 
Eu tenho palavras e quando não as reduzo à escrita é porque são tantas que não conseguem se organizar nem aleatoriamente (como agora). Eu existo porque eu as tenho. Felicidade se situa nesse olhar que insiste em não abandonar a ampliação imensurável. Uma liberdade tão palpável que sua ingenuidade quase a descaracteriza. Mas ainda é meu simples modo de estar no mundo, de ver a imagem do mundo. E não me tirem de mim em vocês. Renda-me.


*"Eu escrevo como se fosse para salvar a vida de alguém.
Provavelmente a minha própria vida."

domingo, 30 de janeiro de 2011

por Sabrina Telles

Cíclica
(de repente, sempre volto)

É a minha inércia que me incomoda.
Não é possível que uma alteração em minha trajetória seja possível somente por meio de algo exterior. Logo eu que sempre achei que a introspecção fosse o caminho. Pensando bem... acho que ainda nos entendemos assim... Então não é isso que deve ser alterado. Nós somos o que queremos ser dentro do limite do possível é umas das contradições mais dolorosas que tenho que admitir a validade, que tenho que aceitar como única forma. E ela é simplesmente injusta. Ela é injusta como perder o que não se teve porque sonhara demais, porque queria demais, porque a idealização não se sensibilizou.

Não posso excluir você de mim. 
O medo da vulnerabilidade pela entrega total ainda se faz presente. Sensação persistente essa: não se desprende, não me liberta. E, nesse momento, eu nem acredito que estou ignorando a perspectiva das palavras anteriores, a liberdade de me perder desalinhada em busca de outros nós. Não é possível! Sou mais cíclica do que pensava. Vou me receitar um pouco menos de mim.

Sem romantismo, nem realismo, nem modernismo, nem nada. 
Apenas anular minha invariabilidade. Talvez assim até consiga mudar o sentido dessa trajetória. Sou mais cíclica do que pensava. Não posso olhar os capítulos de minha memórias sendo escritos por outras pessoas, E ainda usando os meus personagens. Sinto que eles estão vaporizando em minhas mãos.

Ser narração e ser leitura.
Não posso me comportar mecanicamente dentro do dinamismo do mundo, como se fosse um objeto perdido entre sua real utilidade e sua consciente existência. Vou, mais uma vez, me reescrever. Eu devia me mudar e voltar a morar no sentimento de liberdade de antes e aceitar que de mim você não sairá com facilidade e abstrair minha inércia cíclica, me colocando em inconstância e em imprevisibilidade. Tudo isso já foi dito antes, isso tudo já foi sentido. Sou mais cíclica do que pensava.

Mente e corpo preciso da necessidade de ser (uma nova) eu.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

por Sabrina Telles

 Um pedaço da minha Felicidade sob uma nova perspectiva
                                                               (e, aos poucos, vou)

Estou traçando eu nós -
o que nunca fora tracejado.
Porque não somos nós.
Somos o que fora escondido pelo medo.
O velho conhecido medo de se tornar absurdamente vulnerável pela entrega total.
Não somos nós.




Somos o que foi (e as vezes fez) sentido.
Somos o que parece (mas não foi) perdido.
Somos o não desejo (o não desejado).
Somos o nada que mereceu ser dito
(o silêncio).
Somos eu, mas não nós;
Somos você, mas não nós;
Somos eu e você, e não nós.

E a pequena parte de vento que um dia...
Ah! pensei em nós!... já soprou. Voou.
Está cada vez mais distante, mais intocável.
(Não é tão ruim, não, viu? Mais alto, mais sagrado.)
Ainda amo eu e você
( eu e você não pode nunca se sentir traído,
como se eu não o reconhecesse, como se a ele eu fosse indiferente.
Não, não, pelo contrário. Ele é meu real. )

Isso apenas não é suficiente para meu hoje.  
Preciso de outro pedaço de vento.
Outros eu e você , que talvez se tornem nós.
De outras ilusões de nós.
Porque
nós não somos
Nunca fomos.
(Estou traçando eu -
o que nunca fora tracejado
Porque não somos nós.)
Mente e corpo preciso da liberdade de ser eu
(e não eu e você)
De novo.







P.S.: As fotos à direita são da atriz sueca Ingrid Bergman e as da esquerda da brasileira (com todo o peso e dor dessa palavra) Patrícia Galvão. Não, não tem uma razão direta pra elas estarem aí. Talvez elas me exemplificasse, tenha me inspirado. Sei lá. Senti como se isso tudo combinasse em algo com elas. Ou não. Talvez seja justamente o oposto. Talvez não seja tão simples assim. Cada minuto que passa vejo cada coisa mais complexa. Talvez, talvez... Quem sou eu pra saber de alguma coisa? Mas vou deixar elas aí, me parece bem. 

domingo, 2 de janeiro de 2011

Por Patrícia Soares



Fiquei nesses últimos dias a procura das palavras certas. As quais seriam as primeiras e/ou as últimas. Não as encontrei. Tudo o que aconteceu foi de tamanha intensidade e significado que não deve ser simplesmente pontuado ou descrito. Tenho o sentimento de dever cumprido, o mais importante foi feito. Absorvi todos estes fatos. Fatos tristes, felizes. Fatos belos, inesquecíveis. Únicos. Reveladores. Eternos. Assustadores. Decisivos. Precursores. A sensação de dever cumprido vai além, se estende até ao fato mais importante, ao próprio compartilhamento do mesmo. A internalização não foi, nem deve ser baseada na individualidade. Por isso, corrijo-me: absorvemos. Eu, Sabrina e aqueles que se permitiram. Não tenho o sentimento de finitude. Não cabe nesse texto. Porém, também não utilizo o conceito de início, desse já passamos. Estamos no meio do caminho, nem no passado nem no futuro, mas no presente. Juntos com aqueles que se permitiram e sabemos que irão se permitir por mais um ano – pelo menos. Pois o tempo presente é a nossa matéria, “o tempo presente, os homens presentes, a vida presente”.

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Por Sabrina Telles

E se...? Indiferenciável.

 ═══ Ø ══════════════

Se eu me vestisse sempre impecavelmente, você olharia pra mim? Se eu fingisse sempre que tudo está sempre bem, você olharia pra mim? Se eu poupasse os olhares e fosse diretamente aos risinhos desconcertantes, você olharia pra mim? Se eu não falasse sobre sonhos, você olharia pra mim? Se minhas palavras fossem mais previsíveis, você olharia pra mim? Se eu não me desarmasse, revelando-me em angústias e levezas, não compartilhasse tanto, você olharia pra mim? Se eu não pensasse tanto antes de cada atitude, se eu fosse mais eu e menos outros, você olharia pra mim? Se eu frequentasse luzes e sons noturnos, você olharia pra mim? Se eu me pusesse numa vitrine, inerte e perfeita; você olharia pra mim?

Ah, sim! Sem dúvidas. Você gostaria como a outras, eu faria o seu tipo, seria cômoda e confortável pra você. Você olharia! Mas não seria pra mim. Mas eu não permaneceria. Por esse caminho, meu eu há muito já teria se perdido... como se fosse a mais volátil das substâncias; como uma tentativa de agarrar àgua, ignorando sua liquidez; como um papel com algum segredo, alguma senha, alguma chave, algum recado, qualquer coisa escrita que deixou voar sem antes ter sido lido...


═════════════ [♀; + ∞[ ═════


sábado, 27 de novembro de 2010

por Sabrina Telles

Através de um Espelho que não é a televisão

E, então, você se encontra com você mesma e é tudo diferente. O mundo coloca-se distante e o que importa é você. Não um egocentrismo desmedido, mas uma introspecção que venta e é tranquila. O mundo se revela tão confuso, tão revirado, a felicidade tão clandestina; e você, apesar de completamente inserida nele, consegue se encontrar intacta um momento, com um certo embaraço por estar bem.
Parece que tudo que é prazeroso se torna, de vários ângulos, egoísta. Assim, o que antes parecia amplo como se tudo fosse alcançavel, como se tudo pudesse ser tocado (e modelado), atomiza-se. Um único modo é o saudável e ele não nos espera.
Vejo que a questão agora é o permitir que outros não restrinjam sua permissão pra que você mesmo faça com que tudo valha a pena.
(Ó, mundo! Por que não podemos ser? Ser é tão bom!)
Nossa felicidade imprime restrições a felicidades alheias? Talvez sempre. Mas nem sempre a não liberdade é prejudicial. E se por um momento não nos importássemos com os prejuízos a terceiros e apenas com o agora, o estar? E se a felicidade particular se tornasse lícita para nossa própria consciência? E se o conceito de Utopia fosse, por ora, desprezado ou, ao menos, relativizado?
Encontre-se mais, se identifique mais nas coisas. Escrevo isso para que eu absorva, Para que eu me veja por um espelho antes de que por uma televisão.

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