Páginas

sexta-feira, 4 de novembro de 2016

de Sabrina Telles

Buena Vista (Mírame II)

Las veredas se cerraron sin espacio para salidas
y ni siquiera entradas.
Ya no hay espacio para aquellos que se sientan
y llevan

todo lo que piensan que les pertenece,
todo lo que no está disponible para tramitaciones.
Ya no hay espacio.

Los caminos se abren,
para que pueda llegar y quedarse,
para que vuelva a su propia casa,
para que las nociones de tiempo y espacio se detengan y sean como siempre quisieron ser:
con la calma que hay en el todo que sabe lo que es y vive de lo que es. 


Acomódate... 

Siento su presencia como si fuera mi ahora y mi porvenir
y siento mi cuerpo en todas las vidas:
siento el histórico y el biológico:
los hechos y las células,
las fechas y los tejidos,
las edades y los órganos,
los pasajes,

las eras,
las cadenas,

las guerras.
Y mi presencia se llena.

Yo pido todas las palabras de vuelta para que sean arte,
si yo pudiera escribirlas.
Pero estoy solamente cerca de mí en las últimas lunas
y no soy poeta como otros,
que cogieron su nombre
y lo ubicaron
y lo pintaron
y lo llevaron
a los sonidos, a las casas, a las piedras, hacia adelante...

("Como os invejo
Como os admiro
Eu que te vejo
E nem quase respiro")
Yo pido que sus miedos sean reemplazados por la imagen de mi rostro cuando oigo su voz,
que se transforma en lo más incandescente que sabe ser.


Quedáte.

sábado, 6 de agosto de 2016

por Sabrina Telles

Mírame

Yo te doy estas líneas que llegaron 
para guardar un momento 
que vive ahora 
sólo de la necesidad de no querer más 
las palabras no dichas. 

Quiero los efectos de las palabras 
y de los silencios. 
Quiero el camino que ellos recorren 
cuándo son captados por tus sentidos, 
cuando entran en tus ojos, oídos, boca 
y bucean por tus órganos, 
como van penetrando 
cada membrana 
que separa uno del otro, 
cada músculo, 
cada vena. 
Y vuelve a la superficie. 
(Dime si te causo una revolución...)

Quiero que no se desvanezca 
el rojo que nos une. 
Quiero detener el sonido de tu voz, 
sujetarlo, apretarlo, 
quiero que de mí no se vaya, 
como si se me olvidase por un instante que no es posible olvidarlo, 
como si no me viniera todo el tiempo a la memoria de mi piel. 

(Pero no quiero impedir que vibre, todo lo contrario! 
Quiero que tu voz ocupe cada espacio, 
cada silencio indeseado mio 
y del mundo, 
que invada las calles del mundo.)

Y, sobre el silencio que entra 
por su gana propia, 
quiero que se sienta cómodo, 
que sea agradablemente tan mío como tuyo, 
que sea más grande que nosotras. 
Yo te doy mi silencio.

Quiero que nuestros caminos 
sean de nuestros pasos, 
que nos conduzcamos. 
Quiero que lo que sea nuestro 
de hecho, por derecho y voluntad, 
sea nuestro: 
claro y oscuro, 
sólido y líquido.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

de Sabrina Telles

Soneto (para além)
do Silêncio

Repouso minhas palavras vazias
Não quero que de mim escapem
Nem que os horizontes se esgotem
Protejo as galeanas utopias.

Na ilusão de que o destino caminha
Escondo que há lógica no tempo
Que "cuando" es solamente un intento
E o mundo acreditou que não sabia.

Dependente de olhares e ruídos,
No incompreensível dos sentidos,
Não desejo que as cartas voem.

Em prol de novas vozes sensatas,
Com suas verdades tão refugiadas,
Que nossos silêncios ecoem.

sábado, 30 de janeiro de 2016

por Sabrina Telles

A Expressão do Agora

E, sem pressentir, os meus sentidos se alteraram numa revolução sinestésica em
que se lê pele,
que se ouve o cheiro,
que se toca no som,
que me fez perceber
que o que nos une é algo 
que abandonou as formalidades há tempos atrás.

E, sem ansiar, abri as portas para sua exposição que depende de fatores
que não se explicam,
que não se ordenam,
que não se mostram,
que recolhem palavras durante entreatos descomunais.

E, sem apelar, rendi o corpo para sentir como somos nós
para aliviar nossa sede,
para acalmar nossos pesos,
para matar nossos medos,
para fazer de cada sopro o próprio cais.

E, sem desafiar, deixo que a sinceridade desses olhos tão meus quanto seus
nos navalhe,
nos invada,
nos conheça
se aproprie,
nos liberte 
e mais.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

por Sabrina Telles


Ela: Salvador

Em pensar que existem verbos que me colocam como predicado de seu sujeito já valem a pena gastar essas repetitivas palavras, E leio carta.

Projetam-se, pelas ruas, imagens de sua cor, a cor dessa cidade, e compreendo que não posso as compreender em absoluto, então assisto elas serem. São borrões de tão rápidas, pairam com o vento.

O silêncio de meu corpo vai se completando com cores e vozes, mas logo transbordo. Não entenda como falta de generosidade de meus olhos, é que as imagens da rua são maiores que eu e meu espaço não é tanto.

Mas eu sinto que respira escondido, sinto seu transtorno com o visceral, sinto seu medo da sensibilidade imoderada, sinto sua dor de ser mais do que a beleza das cores que lhe foi dada, sinto sua verdade querendo extravasar, sinto seus seis sentidos pulsando, sua felicidade clandestina, sua insustentável leveza de ser.

A cada linha que se lê, se manifesta outro novo mundo e as verdades em mim elas vão se esvaindo, e lembra* de algo elementar: são todas, todas, todas mutáveis em frações minúsculas de espaço e tempo, a ponto de ser confuso acompanhar, E as aceito.


A cada linha que se lê, se percebe que não nos libertamos da espera pela força que mude o itinerário e grite "1, 2, 3! Salve todos!" e assim aconteça. A bem da verdade é que nos libertamos através disso: é o que pegamos para nos livrar do medo de viver sem (ser) sentido. Resta guardada a esperança** de que essa leitura seja a que me salve.

(Agora, vou me retirar ainda em começo, não posso continuar transparecendo, transpirando...
Deixo pra outro dia.)
_______________________
* Disso já se sabia. Mas não nos culpo por nos esquecermos, em nome da sobrevivência, de lições que já tínhamos aprendido, não. É que é preciso aceitar algumas exatidões pra viver nesse mundo... pra comer e beber e vestir. Só não as deixemos domar o que de melhor e mais instável há em nós.

** Mesmo achando que não devo, fico um pouco escabreada ao usar essa palavra, pois a engrenagem externa diz que é bobagem tê-la em tempos assim como estes. Largo aqui tal pudor e a panho em seu verde.

quarta-feira, 15 de julho de 2015

de Sabrina Telles

UBUNTU
(ou o que fazer com nossas reticências)
- com Elis, para nós.

[Pego certas coisas que deixei guardadas e chego: vim desempoeirar, cumprir promessa. 
Não sei ao certo como, mais uma vez, vou recompondo.
Sopro uma espessa camada...]

- Como pode ainda haver tanto a pensar naquele momento em que não desviamos o olhar das imensidões que se escurecem? Há tanto a ver...
Elas largam o verde, o azul, as suas manchas brancas, 
e se imiscuem a ponto de não podermos distinguir uma da outra. 

Não cabemos em nós...
Elas se refletem. E calam outros sons dando lugar aos ruídos mais internos, 
aqueles que nem sabíamos que ainda podiam ecoar. 
Olhamos para nós...

[pausa]
E lançamos de modo contínuo questões no ar, na espera de alguém que as responda ou, ao menos, que traga qualquer vestígio de calmaria: que diminua os ruídos. 

Inventamos certa calmaria...
E queremos doar pedaços dessa invenção umas as outras. 
Arranjamos certas respostas, 
alimentamos o insaciável, 
embebedamos o seco, 
rimos de nada e de nós: 
queremos menos dor.
["Solo pido que deje de doler..."]

Pensamos em nossos corpos...

É que, pela distância entre o núcleo de um átomo e a sua eletrosfera, 
somos mais vazio do que pensamos. 
É que é sempre vazio o que não conhecemos: 
é como nada.
Eles se refletem e se deterioram: 
são apenas corpos, com o infinito em frente, com o infinito acima.

Sabemos nada sobre as coisas...
Tudo vai seguindo seu próprio ser 
como se só houvesse um único estar: 
deixar o externo agir sobre si. 
A engrenagem das coisas faz cumprir seus destinos.

["São tão fortes as coisas! Mas eu não sou as coisas e me revolto."]

Somos essencialmente arte...
Essa consciência nos leva a aprender que muito não será aprendido, 
que muito do que veremos não conheceremos mais do que aquele exato, 
muito não vai se fundamentar, 
muito não se saberá. 

E nos queremos bem.

O Tempo desconstrói nossas verdades: não, não salvaremos a humanidade.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

por Patrícia Soares,


Título Desconhecido


Não há nada para ser escrito, pois não há nada para ser dito. As palavras se esvaíram de mim. Viajaram no tempo e no espaço juntamente com o que estou deixando de sentir. "Estou deixando", pura e agradável fluidez temporal.

Claro que a condição para é determinante e sutilmente inconstante. É dizer sim ou não ao que não tem alternativas e simplesmente seguir. Se possível para um lugar longe do que lembranças podem tornar visíveis novamente. Na verdade, é olhar para elas e poder enxergá-las sem pausas para estabilizações.


Palavras, emoções, gestos... nada que não fosse rotineiro dentro do que aparentava ser. E, um toque de gentileza da vida fez não ser. O "não ser" que não era uma opção, pois o "ser" não é condicional ligado ao outro "ser". Então, não escrevo, não falo aquilo que não é escutado e não escuto aquilo que não é dito.

Apenas sigo.

quinta-feira, 31 de julho de 2014


por Sabrina Telles


Transparência
(externando Razões)

Chega-se, portanto, a um irresistível ponto em que só se suporta se se converter em arte, porque só se vive se em poesia, porque só assim é real. É só para que perceba que ainda se pode construir ruídos; que os ouvidos ainda conseguem distinguir sonhos; que o imprevisível pode ser extremamente doce; que o que se sente é infantil em gênero e mundo; que o mundo é um caos e se vive.

E se vive em si, porque é preciso a proteção de uma massa corpórea - de músculos e pele; porque os iguais precisam para se reconhecer também em si, e os outros precisam do contrário. Mas não nos enganemos: não seremos iguais, porque não queremos nada senão oposto. (E quer o amor o que não queremos: ser o outro, dentro e fora de si: "abraçar com um pássaro que voa").

Pensa-se em solidez, mas as informações sobre mundo se sublimam muito velozmente. Não há o que esperar: a tranquilidade desejada já incomoda, parecendo que o incômodo é necessário pra sobreviver em paz; parecendo que não deveria estar tão serena em relação ao vazio quando muito do que conhece está ao avesso: ressignifica-se.

Conduz-se pretendendo desvencilhar-se da culpa por ser feliz. Essa coisa de culpa é uma desnecessidade, um perda de tempo e espaço, sempre soube. E o espaço que (se) guarda é infinito, e sempre teve desconforto com o infinito, algo como o medo do escuro. De forma pensada, muitas vezes, se esconde.

Mas não se acoberta com consciência de teatro, com máscaras e todo o resto, não; se sente porque se sente. É bem o contrário: Caminha por dentro de outros com enorme sinceridade, é assim que experimenta gostos.

Transforma essas linhas, como se arte pudessem ser, e humildemente... Incandesce.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

por Sabrina Telles

Para Agora

Quero ser direta para que você me entenda, 
quero largar a poesia para que você me entenda, 
quero minhas palavras secas para que você me entenda, 
quero que o tempo pare para que você me abrace, 
quero o cotidiano, 
quero o meu olhar no seu para que você me entenda, 
quero os verbos que não são meus para que você me entenda, 
quero guardar o dia de abril para que você me entenda. 

Desligo os sons que são meus para que eu te entenda, 
fecho os livros que vou ler para que eu te entenda, 
deixo as luzes ligadas para que eu te veja,
quero seu olhar no meu para que eu te entenda
 troco seu rosto com o meu para que eu te entenda, 
apago os sons da tv para que eu te entenda, 
me deito sobre o mais nobre silêncio, mesmo quando não é meu, para que eu te entenda. 

Descarto agora o que dentro de mim não é seu para que eu te entenda, 
para que você me entenda, 
por nós, 
para atarmos mais nós.

sábado, 25 de janeiro de 2014

por Sabrina Telles

Quando se entende o que te abraça
(ou Palavras Permitidas III)


Feito linhas,
pouco a pouco, se desenovelam,
e vão me rodeando,
sem um sentido conhecido,
aparentando aleatoriedade,
tangenciando minha pele - no limite entre rasgá-la
ou se partirem em incontáveis pedaços
e voltarem ao mundo,
onde o ar é rarefeito,
E pairam,
com uma liberdade indesejada,
à espera, sem procura,
do que as moldem,
de qualquer grito,
qualquer alegria,
qualquer silêncio, de algum olhar.

E,

a cada rasgo,
pouco a pouco, se impregnam,
sem escudos de medo,
com a coragem daquilo que quer
adentrar,
ser absorvido
sem julgamentos,
sem licença,
atravessando capas.
E deflagram o que encontrou impresso em mim,
o por trás do medo,
expondo o sítio
onde tudo pulsa,
e é agudo,
onde se sente sem culpa, sem mágoas,
onde sombras se desfazem,
onde não ser é o ser mais puro que há.

E,
soberanas,
já esquecendo
a intranquilidade do processo,
e se acalentando,
se imiscuindo,
se desfazendo;
confundem-se
com o mais natural fluido vermelho.
Rendo-me.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

por Patrícia Soares


Vazio. 



Vazio e um ponto.                                                                                            Nem as reticências cabem mais. 


Pois nada cabe. Pois não há o que caber no não ter.

                                                                                                                                  Vazio. 


Um pouco de luz, até porquê, já esteve mais escuro. Porém, só.
Nem palavras ousaram entrar. Nem música. Acredite, nem música.
Ir, não ir; tentar ou não; conseguir, quem sabe.


Nada se sabe no caminho que não existe ali/aqui.


Ruídos passam ao longe. Às vezes. Se espiar um pouco o que há do lado de fora, vê-se tudo, todos e mais um pouco. A fonte que não secou, mas da qual não se bebe mais. Os sorrisos dados. Ou não. Na verdade, não. O céu iluminado, até também não se sabe quando. Os laços partidos, que ainda estão unidos. E os não partidos, que estão. Muitas coisas se vê do lado de fora.


Mas, sem perceber, está novamente aqui/ali.        

                                                               
           Em lugar algum.

                                                                                                          Talvez naquele.


Continuará sem saber.


                                                            Vazio .

terça-feira, 20 de agosto de 2013

por Sabrina Telles

Variações de azul-petróleo

O ciano permitiu que o grande rasgo apitangado se abrisse, se espalhasse, criando um rastro horizontal, e atrasasse sua sincronização com a água que apenas espera
.
Espera escurecer para escurecer e encontrar... 
E se encontrar.

Terminando o gosto do dia com um feixe de luz no rosto que marca, na parede, perfis cinzas e tranquilos. O vento translada o azul ao atravessar a janela e todos os móveis e livros, mais uma vez, se (re)matizam.

Diminui a pureza espectral relativa da própria luz, que pousa em tudo, que chega a você; Pois, Quando eu te vejo, 
até o verde se azula.

E os objetos conseguem todos ser tão condescendentes, como se não pudessem existir estampados de nenhuma outra forma,  como se estivesse onde sempre deveria estar, como se fosse destino incontroverso o repousar do vento em si
da luz, do azul do mundo em si.



(Lembra agora de uma lógica sensível de infância: eu vejo apenas as cores que vejo, e não sei se são do mesmo jeito que as suas. Talvez nossas cores preferidas apareçam para gente da mesma forma, talvez sejam as mesmas, mas nunca saberemos. Posso lhe emprestar meus olhos? Deixa eu olhar o mundo com os seus?)

Sente ao redor com tanto contraste que tenta admitir que as imagens saíram de sonhos acordados e não consegue: Pensa que ainda dorme. 
Todas as vontades explícitas, deitadas em pele,
e não acredita: Pensa que ainda dorme.


Poesia é onda, é partícula. Não hesita em sensibilizar os olhos nus.

sábado, 15 de junho de 2013

por Sabrina Telles

Entre maçãs e abacates

Sigo marcando passos pela poesia em cada vida e objeto ...

Em meio ao possivelmente real sem duvidar de que nossas mãos podem alcançar o sentido do que acreditamos, e sem esquecer que há tudo e nada em nós e sobre nós, refletido na noção de que o individual precede (e baseia) o coletivo, de que os homens somos um universo.

(Uso aqui o plural sem receios, Alegria, porque o incômodo para sermos exatamente o que queremos se revela, em explosões, dia após dia, diante de nós: somos de angústias compartilhadas.)

Saímos pelos esquadros e esferas de luzes da cidade, vestidas do que colhemos da beleza dos símbolos, entre aquários e leões, usando-nos como força-motriz.

Andamos traduzindo imagens em palavras e palavras em imagens, incansavelmente, feito água em pedra que escorre e, sem que os olhos possam notar, vai corroendo, como arte.

Fazemos, do olhar, motivo para sentir algum algo do que todos sentem em si e nos enlaçar ao que nos protege, abraçando e reduzindo a pó o medo de que os ombros impeçam o movimento dos pés e aja com força maior do que nossa vontade.

... e, do mundo pouco sabemos, pouco entendemos, não se pode controlar sua sensibilidade.

Encontrar Neste Blog