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quinta-feira, 31 de julho de 2014


por Sabrina Telles


Transparência
(externando Razões)

Chega-se, portanto, a um irresistível ponto em que só se suporta se se converter em arte, porque só se vive se em poesia, porque só assim é real. É só para que perceba que ainda se pode construir ruídos; que os ouvidos ainda conseguem distinguir sonhos; que o imprevisível pode ser extremamente doce; que o que se sente é infantil em gênero e mundo; que o mundo é um caos e se vive.

E se vive em si, porque é preciso a proteção de uma massa corpórea - de músculos e pele; porque os iguais precisam para se reconhecer também em si, e os outros precisam do contrário. Mas não nos enganemos: não seremos iguais, porque não queremos nada senão oposto. (E quer o amor o que não queremos: ser o outro, dentro e fora de si: "abraçar com um pássaro que voa").

Pensa-se em solidez, mas as informações sobre mundo se sublimam muito velozmente. Não há o que esperar: a tranquilidade desejada já incomoda, parecendo que o incômodo é necessário pra sobreviver em paz; parecendo que não deveria estar tão serena em relação ao vazio quando muito do que conhece está ao avesso: ressignifica-se.

Conduz-se pretendendo desvencilhar-se da culpa por ser feliz. Essa coisa de culpa é uma desnecessidade, um perda de tempo e espaço, sempre soube. E o espaço que (se) guarda é infinito, e sempre teve desconforto com o infinito, algo como o medo do escuro. De forma pensada, muitas vezes, se esconde.

Mas não se acoberta com consciência de teatro, com máscaras e todo o resto, não; se sente porque se sente. É bem o contrário: Caminha por dentro de outros com enorme sinceridade, é assim que experimenta gostos.

Transforma essas linhas, como se arte pudessem ser, e humildemente... Incandesce.

quarta-feira, 16 de abril de 2014

por Sabrina Telles

Para Agora

Quero ser direta para que você me entenda, 
quero largar a poesia para que você me entenda, 
quero minhas palavras secas para que você me entenda, 
quero que o tempo pare para que você me abrace, 
quero o cotidiano, 
quero o meu olhar no seu para que você me entenda, 
quero os verbos que não são meus para que você me entenda, 
quero guardar o dia de abril para que você me entenda. 

Desligo os sons que são meus para que eu te entenda, 
fecho os livros que vou ler para que eu te entenda, 
deixo as luzes ligadas para que eu te veja,
quero seu olhar no meu para que eu te entenda
 troco seu rosto com o meu para que eu te entenda, 
apago os sons da tv para que eu te entenda, 
me deito sobre o mais nobre silêncio, mesmo quando não é meu, para que eu te entenda. 

Descarto agora o que dentro de mim não é seu para que eu te entenda, 
para que você me entenda, 
por nós, 
para atarmos mais nós.

sábado, 25 de janeiro de 2014

por Sabrina Telles

Quando se entende o que te abraça
(ou Palavras Permitidas III)


Feito linhas,
pouco a pouco, se desenovelam,
e vão me rodeando,
sem um sentido conhecido,
aparentando aleatoriedade,
tangenciando minha pele - no limite entre rasgá-la
ou se partirem em incontáveis pedaços
e voltarem ao mundo,
onde o ar é rarefeito,
E pairam,
com uma liberdade indesejada,
à espera, sem procura,
do que as moldem,
de qualquer grito,
qualquer alegria,
qualquer silêncio, de algum olhar.

E,

a cada rasgo,
pouco a pouco, se impregnam,
sem escudos de medo,
com a coragem daquilo que quer
adentrar,
ser absorvido
sem julgamentos,
sem licença,
atravessando capas.
E deflagram o que encontrou impresso em mim,
o por trás do medo,
expondo o sítio
onde tudo pulsa,
e é agudo,
onde se sente sem culpa, sem mágoas,
onde sombras se desfazem,
onde não ser é o ser mais puro que há.

E,
soberanas,
já esquecendo
a intranquilidade do processo,
e se acalentando,
se imiscuindo,
se desfazendo;
confundem-se
com o mais natural fluido vermelho.
Rendo-me.

quarta-feira, 13 de novembro de 2013

por Patrícia Soares


Vazio. 



Vazio e um ponto.                                                                                            Nem as reticências cabem mais. 


Pois nada cabe. Pois não há o que caber no não ter.

                                                                                                                                  Vazio. 


Um pouco de luz, até porquê, já esteve mais escuro. Porém, só.
Nem palavras ousaram entrar. Nem música. Acredite, nem música.
Ir, não ir; tentar ou não; conseguir, quem sabe.


Nada se sabe no caminho que não existe ali/aqui.


Ruídos passam ao longe. Às vezes. Se espiar um pouco o que há do lado de fora, vê-se tudo, todos e mais um pouco. A fonte que não secou, mas da qual não se bebe mais. Os sorrisos dados. Ou não. Na verdade, não. O céu iluminado, até também não se sabe quando. Os laços partidos, que ainda estão unidos. E os não partidos, que estão. Muitas coisas se vê do lado de fora.


Mas, sem perceber, está novamente aqui/ali.        

                                                               
           Em lugar algum.

                                                                                                          Talvez naquele.


Continuará sem saber.


                                                            Vazio .

terça-feira, 20 de agosto de 2013

por Sabrina Telles

Variações de azul-petróleo

O ciano permitiu que o grande rasgo apitangado se abrisse, se espalhasse, criando um rastro horizontal, e atrasasse sua sincronização com a água que apenas espera
.
Espera escurecer para escurecer e encontrar... 
E se encontrar.

Terminando o gosto do dia com um feixe de luz no rosto que marca, na parede, perfis cinzas e tranquilos. O vento translada o azul ao atravessar a janela e todos os móveis e livros, mais uma vez, se (re)matizam.

Diminui a pureza espectral relativa da própria luz, que pousa em tudo, que chega a você; Pois, Quando eu te vejo, 
até o verde se azula.

E os objetos conseguem todos ser tão condescendentes, como se não pudessem existir estampados de nenhuma outra forma,  como se estivesse onde sempre deveria estar, como se fosse destino incontroverso o repousar do vento em si
da luz, do azul do mundo em si.



(Lembra agora de uma lógica sensível de infância: eu vejo apenas as cores que vejo, e não sei se são do mesmo jeito que as suas. Talvez nossas cores preferidas apareçam para gente da mesma forma, talvez sejam as mesmas, mas nunca saberemos. Posso lhe emprestar meus olhos? Deixa eu olhar o mundo com os seus?)

Sente ao redor com tanto contraste que tenta admitir que as imagens saíram de sonhos acordados e não consegue: Pensa que ainda dorme. 
Todas as vontades explícitas, deitadas em pele,
e não acredita: Pensa que ainda dorme.


Poesia é onda, é partícula. Não hesita em sensibilizar os olhos nus.

sábado, 15 de junho de 2013

por Sabrina Telles

Entre maçãs e abacates

Sigo marcando passos pela poesia em cada vida e objeto ...

Em meio ao possivelmente real sem duvidar de que nossas mãos podem alcançar o sentido do que acreditamos, e sem esquecer que há tudo e nada em nós e sobre nós, refletido na noção de que o individual precede (e baseia) o coletivo, de que os homens somos um universo.

(Uso aqui o plural sem receios, Alegria, porque o incômodo para sermos exatamente o que queremos se revela, em explosões, dia após dia, diante de nós: somos de angústias compartilhadas.)

Saímos pelos esquadros e esferas de luzes da cidade, vestidas do que colhemos da beleza dos símbolos, entre aquários e leões, usando-nos como força-motriz.

Andamos traduzindo imagens em palavras e palavras em imagens, incansavelmente, feito água em pedra que escorre e, sem que os olhos possam notar, vai corroendo, como arte.

Fazemos, do olhar, motivo para sentir algum algo do que todos sentem em si e nos enlaçar ao que nos protege, abraçando e reduzindo a pó o medo de que os ombros impeçam o movimento dos pés e aja com força maior do que nossa vontade.

... e, do mundo pouco sabemos, pouco entendemos, não se pode controlar sua sensibilidade.

segunda-feira, 15 de abril de 2013

por Sabrina Telles

Alegria

(sigo definindo versos pelo sentido do olhar)

Enquanto alegria cai em desuso, eu inspiro pedaços de sua liberdade, como se fosse possível abraçar o vento; como se, com isso, ele continuasse trazendo a mesma sensação; como se os sons fossem palpáveis; como se aquário fosse mar; como se ouvidos, olhos; como se olhos, boca. 

Passeio por entre minhas percepções de captar, à primeira vista, o interior das coisas: tenho visto histórias por trás de cada rasgo, cada emenda, de cada pedaço de tudo. Eu mesma as invento. E vou dando sentimento a elas com uma naturalidade inesperada - mas nem por isso descaracterizada -, o que talvez seja um recém-descoberto vício.

Por uma dialética quase cansada, confesso que vão também me gastando, em proporções e formas coloridas, ao considerar aquela noção de que o papel risca a grafite e o carvão, e não o contrário.

Mas não se preocupe, minha vida... Não uso a simples fórmula de antes, em que eu olhava e queria absorver, engolir, sem muito filtrar. (Tal confusa passividade de grafite e carvão não deixa a dor predominar como as aparências podem ditar: além de ser apenas uma das várias vias, que seguem paralelas, eu vejo sempre construção ao findar de ciclos.) Não desejo engaiolar tudo atribuindo automaticamente sentimentos exagerados, descontrolados. 

É diferente: fica entendido que não é apenas meu: quero que voem. Redesenham assim o inventado unilateralmente e se recriam, se acrescentam frente a mim. Encontro-me aceitando essa condição - muito menos como resignação do que como razão e efeito de ser do amor.

Sinto, então, uma saudade que veio de súbito, mas que permanece leve, no sentido de um sorriso, com a intenção de ser nada mais do que pacífica.

terça-feira, 22 de janeiro de 2013

por Sabrina Telles

Paralelos


Enquanto suas palavras me descrevem mais do que as minhas, eu vou esperando que os dias passem para que enfim encontre mais alguma coisa. Algo que deve ser mais vida. Algo que será apenas o peso ou a leveza de mais dias, e mais sol após lua após sol, e, quando variar, mais chuva após nuvens após chuva: espera após espera.


Enquanto percebo que o Tempo não ama da mesma forma com o passar do tempo, olhares se prendem a coisas que não se rendiam antes. E não se doavam pois desconhecia que todas as coisas podem ser suas se apenas as olhasse. De um modo contínuo, existe um tanto mais além.

(Nasce em si o medo de poder ver o infinito e fecha os olhos. Não suporta a quantidade de luz.)

Enquanto transpareço o que não sinto, você me reflete mais do que eu em espelho. Imagem que deve ser como o escudo que serve para conter o grito dos homens quando descobrem que existe o amor, e ficam transitando sem noção de espaço entre o perdido e o intocável. Eles  não entendem 
(menos ainda) 
de si mesmos.

Enquanto você entende que não consegue ser maior, as pessoas se perdem facilmente umas nas outras, e experimentam ser nós como nós queremos ser.

Com os pés, respira terra, respira alfalto, e lembra que suas pegadas se esforçam, a cada passo, para alcançar o inesquecível, ainda que, por enquanto!, não se diferenciem tanto umas das outras por motivo de equidistância e morosidade. Insistentemente - pois só assim se é - segue: feito criança.

sábado, 17 de novembro de 2012

por Sabrina Telles

Inversos

Pois se esqueceu que o mundo e as pessoas não podem ser reduzidos em um único abraço, se viu inteiramente com os pés fora do chão. 

Não pode se conter: Inspira dualidade, em instantes espaçados, experimenta transgressão e sai - com uma noção descaracterizada, meio sem fé. Vez e quando, se repete e segue depositando os momentos em outros e adiando o dito certo e criando peças de alguma coisa que é montável, mas que não se encaixam.

Mas as sobras de ser, que pensa que existem, conseguem fazer dos passos um entrelaçado com qualquer tipo de passado, se intimidando - tanto pelos próprios passos que se julgam antes maiores, quanto pelas marcas deixadas que se amoldaram tão tangentes que parecem definitivas. E o cansaço, que cada coisa que toma um espaço seu lhe atribui, é o que se faz completar de forma atropelada o incompreensível.

Quando vê cada coisa ser mais crua do que criam aos nossos olhos, que tudo pulsa controlando sua própria forma, preservando o que lhes individualiza: É inverso: tocar o céu tem forma tão simples como água, de matéria tão natural que não se percebe, não se pensa. É que, quando se vem inteiro, e não se percebe, se voa: É sentidos.

Mas não se foge do que é seu, nesse mundo, não mais segue pensando ser possível excluir pedaços de memória como se a consciência de si lhe desse esse tipo de liberdade: É inverso: o esforço faz se impregnar com vontades e versos e verdades e se veste do que não parece mais necessário - com o poder visceral que tem tudo que é sutil.

É o único conjunto de sentir conhecido. E se entrega, com suas letras e músicas, todo seus verdes e azuis, ao irremediável aceitar-se: "...porque és o avesso do avesso do avesso do avesso".


P.S. Arte é fazer o mais do que necessário ser também extremamente necessário: 
razão e efeito: Incandesce.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

por Sabrina Telles

I. Do vento ao sólido
(Eu)

As ideias não se sustentam mais, querem a segurança do que é sólido, querem o que só age: não é possível contentar-se de contente.

Chega então a sensação de que eu voltei para o que sou. E agora dura mais intensamente a cada instante, sem a pressa de não cumprir seja lá qual for o seu destino.

Cheguei ao ponto de quando eu estava com a leveza de quem cumpriu decisões certas, e sentia o sol da tarde sem incômodos, como se a vida fosse vento nos olhos fechados; Onde a dor não pode ser a única coisa que me leva a escrever.

E eu revivo, durante meus passos, sensações que são minhas, que ficaram guardadas em algum espaço delineado e que agora desmanchou suas linhas e as deixa voar aleatoriamente. E vão aparecendo a todo instante com suas temperaturas e nuanças, explodem em curtas, com toda força de ser como são. Eu só lembro que ficaram, não lembro de onde vieram, nem quando vieram, e apenas sei que voltam ao ar da mesma forma fugaz que vieram.

Ainda que me preencha por completo, eu não caibo em mim. Até o vento se solidifica e, com leveza, me carrega por entre prédios e automóveis e luzes do trânsito e o medo não me impede. Sou maior que o próprio amor.


II. Do sólido ao líquido
(Você)

Hoje eu lhe entendo ainda mais do que se possa calcular, numa confiança tão despropositada quanto admitir o incondicional. Mas não (te) aceito. Eu sei quem você se faz, mas eu não reconheço mais o seu gosto, que você existe. Está muito longe aqui dentro, e não é tranquilo.

Felicidade não se finge construindo chãos e tetos tão frágeis, você devia saber. Essa incompatibilidade entre o pensar e o agir tecida como se essa relação fosse facilmente deslaçada pertence a outro mundo. Mergulhou nele pensando que seria mais fácil, não foi? Agora felicidade é mais.

Nessa imprevisibilidade de como pensam que seus atos se formam, eu queria, às vezes, ter a certeza de que está bem, se tem lembrado de voar. Lembro de você, apesar de não saber se já foi algum dia aquilo que eu conhecia, sem saber se já foi algum dia o que todos os outros conheciam como você. E diria que suas promessas não te revelam, por isso vão e vêm sem se consistir, sem destino, sem compromisso. Tudo é líquido e derrama pelos dedos.

Revele-se.

Comigo tudo flutua ao meu redor é sempre vento. Mais sólido do que antes.

segunda-feira, 7 de maio de 2012

por Sabrina Telles

  ~ Suavidade

Essa noite eu não consigo mais que perguntas, rascunhos, ventos, indefinições. Essa noite serei dos outros, de histórias alheias, de realidades inventadas, músicas, cenas, guardadas sensações. 


E fugirei do sensível por instantes, para me sentir inteira. 

O que sei é que, sendo tudo todos os dias, parece que só me sinto em partes. O que é importante me faz acelerar e vivo em variação de velocidades pelas ruas e dias. O que me define é o espaço que cada tempo leva, como cada momento se percebe meu e não de outro. O que eu vejo, quando percebo você se remodelando a cada segundo em mim, é você se distanciando, por se tornar cada vez mais interno e menor, por ser cada vez mais lembrança e menos falta, pela preservação de nós, mesmo sem querer saber se já fomos algum dia alguma espécie de nós, se já desatamos nós, mesmo te aceitando intrínseco a mim, mesmo com essa saudade, que lentamente, como todos os traços, cada vez mais se suaviza.

Essa noite eu não tenho as respostas das suas perguntas, mesmo sendo possível que você tenha o que quero ouvir e sentir. Essa noite eu aceito que não seja certeza, que não seja preciso, que eu não preciso.

E simplesmente desligo as exigências e deixo, sem esperar, que em repouso chegue de novo amanhã.


~~

sexta-feira, 13 de abril de 2012

por Sabrina Telles


Quando eu era ontem

(Sendo extremamente sincera e direta comigo, quase uma oração...)

Quando eu era ontem, eu lembrava de mim como sou hoje. Amava minhas opções, o que escolhia, o que alcançava só por olhar e querer absorver. Lembro que meu amor por todas as coisas é porque fui exatamente, precisamente, sentindo em todos os sorrisos. Eu construí o meu amor.

Dizer que eu deveria não ter dado espaço em mim é transferir uma responsabilidade de sentir muito grande ao meu ontem - que já se sobrecarregou demais com todos os arrependimentos desnecessários. Não é possível seguir por todos as ruas ao mesmo tempo e tirar conclusões por comparação para viver pensando em evitar erros e ausências. Não adianta forçar molduras, caixas e imagens de si, Nem manter só a memória do que se evaporou sem ter sido ao certo.

Liberto meu ontem para que ele seja tudo que ficou de sensível: os verdes, os ventos, os fins de tarde; e os cinzas, a poeira, as chuvas, os faróis. Que lembre de ser em mim todos os sentidos do que eu sou hoje. E que, no fim das contas, viva tão suave como desejo ao amanhã.


terça-feira, 13 de março de 2012

por Sabrina Telles

Intencionalmente

Houve um tempo que os quases e os talvez eram o ideal que eu conseguia. Inclusive, perfeitamente pertinente era tudo seu em mim nesse contexto: tanto levezas quanto solidez. Ainda restava uma certa heterogeneidade entre o Sensível e as Ideias, uma aparente (e saudável) distância.

Mas agora já não sei se avanço ou retrocedo. Na verdade, não saberia diferenciar uma lógica da outra, valorar direções. Penso em continuar com você em mim: quase ao ponto de querer me acostumar com as revoluções só para não deixar de sentir esses coisas desconsertantes, inominadas. Só para ter uma coisa, uma causa.

Quanto mais transparência, mais certeza da dúvida. Aquela heterogeneidade não tenta mais, nem ao menos, se impor no fingimento da distância entre meus mundos. E as imagens se embaralham quando lembram do sentido e do não dito. Até parece que a relação entre passos e asfalto se alterou de alguma forma, como se eles se tocassem ao andar e agora não mais, ou, do mesmo jeito, sol e pele, ou qualquer outra que serve para sensibilizar. Mas não é isso. Ou melhor: não dessa maneira, com essa simples compreensão. É outra coisa que não sei.

Queria me olhar com suas intenções e saber se sabe quais são. Queria poder ver onde está o sol quando não lembra de mim, o que está fazendo de mais importante. Queria me ler com suas percepções e sentir o que acontece com seu mundo, se é o mesmo que está acontecendo com o meu enquanto agora.

Queria seus alguns, uns instantes.

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