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terça-feira, 13 de março de 2012

por Sabrina Telles

Intencionalmente

Houve um tempo que os quases e os talvez eram o ideal que eu conseguia. Inclusive, perfeitamente pertinente era tudo seu em mim nesse contexto: tanto levezas quanto solidez. Ainda restava uma certa heterogeneidade entre o Sensível e as Ideias, uma aparente (e saudável) distância.

Mas agora já não sei se avanço ou retrocedo. Na verdade, não saberia diferenciar uma lógica da outra, valorar direções. Penso em continuar com você em mim: quase ao ponto de querer me acostumar com as revoluções só para não deixar de sentir esses coisas desconsertantes, inominadas. Só para ter uma coisa, uma causa.

Quanto mais transparência, mais certeza da dúvida. Aquela heterogeneidade não tenta mais, nem ao menos, se impor no fingimento da distância entre meus mundos. E as imagens se embaralham quando lembram do sentido e do não dito. Até parece que a relação entre passos e asfalto se alterou de alguma forma, como se eles se tocassem ao andar e agora não mais, ou, do mesmo jeito, sol e pele, ou qualquer outra que serve para sensibilizar. Mas não é isso. Ou melhor: não dessa maneira, com essa simples compreensão. É outra coisa que não sei.

Queria me olhar com suas intenções e saber se sabe quais são. Queria poder ver onde está o sol quando não lembra de mim, o que está fazendo de mais importante. Queria me ler com suas percepções e sentir o que acontece com seu mundo, se é o mesmo que está acontecendo com o meu enquanto agora.

Queria seus alguns, uns instantes.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

por Sabrina Telles

,Se Calhar,

Uma vontade de imersão em minha profundidade. Mas estou ro(a)sa esses tempos. Estou a pensar, inclusive, que essa superficialidade foi conquistada, que, por ora, é um resultado satisfatório. Desta vez, mais letras que pingos que querem sê-las: um nível bocadinho razoável de "ir direto ao ponto".

Ainda assim, de repente, por entre coisas que não ficaram no lugar, te encontro e não me sinto sólida. O que já é bastante para que o inacabado disso tudo não me agrade mais: é cansativo fingir que o não aceitar é o não perceber que sente; que não entender é mais sensato. 

Cansativo a ponto de quando o sensato não se equilibra com o sensível, eu digo que não, mas escolho o segundo. E é esse próprio fingir que, ciclicamente, me faz fazer essa escolha. É esse próprio fingir que vulnerabiliza tudo a ponto do sensível equivaler-se ao vulnerável sem nenhum risco prejudicial de minimizar seu sentido.

"And I feel like I'm seeing the world inside of me, 
But I can tell you that I know, it's getting easier to breathe"

Eu posso até acreditar que me entende, mas não espero, de facto, que vais a aceitar agora - o que não faz mal, pois não aceitei isto antes. Por isso, hoje eu não só te sinto, como eu me sinto tu (com os seus estar e não estar) mais do que pensaria que pudesse compreender. O meu esforço de te transformar em um talvez (sempre forcei essa verdade) é tão em vão como disfarçar sua presença: grau semelhante de inevitabilidade.

Porque vejo sinceramente o que toda a gente sempre esteve a ver: nossas frequências de oscilação destoam ridiculamente. Mas, se calhar, é melhor assim.

domingo, 8 de janeiro de 2012

por Sabrina Telles


O virtual, os desejos, as palavras... Do Ar, Sol.

Mesmo que fuja de tudo, que corra o mais longe, vai haver um vazio que me fará querer voltar a mim mesma: acabo cedendo ao que sou. Não que ser - seja lá o que sou - seja algo estático, pelo contrário. É que sempre há uma constante enraizada em algo durável no meio de tantas metamorfoses e revolução. Eu quero tocá-la.

Eu tenho as cartas na mesa, coloquei todas elas, olho pra elas, as reconheço e só. Encaro-as como se tivesse esperando que de súbito fizessem algum movimento e, se eu desviasse o olhar, perderia. Mas nada. Se era para saber, eu sei e, agora, essa clareza, serve? Adianta (ou retarda) alguma coisa? 

Por um tempo cheguei até a pensar que sinto as coisas que sinto só pra arrumar palavras de certa forma, organizá-las, desenvolver ideias. E como eu sinto as próprias palavras mais do que elas são, mais do que eu posso explicar, provavelmente mais do que outros olhos que as leem, achava que eram o meu máximo. 

Mas não posso ser só (isso), então repensei. Também não queria enchê-las com tanta responsabilidade, com tanta obrigação de ser sempre eu. Assim, abandonei de vez a ideia. Eu quero que elas sigam além-mim, que possam mais... eu sei, eu sei... Estou dando mais do que tenho, pois não sei ser mais que eu e, ainda assim, desejo essa liberdade a elas. Ah... isso deve ter algo a ver com o que é amor.

Mas não se enganem. Ainda quero me sentir inteira através delas, ver mais e mais aquela clareza cuja utilidade é desconhecida, e que eu sei que só elas me dão. Eu sei, eu preciso, e, mesmo que eu não quisesse, ainda somos nós.

(Entre lugares, histórias, pedras, estrelas, areia, jardins, linguagens: 
não adianta: 
quando basta uma criança sorri: 
tudo se reconstrói ao seu mais simples. 
E viver se faz tão fácil.)

domingo, 11 de dezembro de 2011

por Sabrina Telles

Areia e céu

Quando não há mais o mesmo, o mundo se rompe e assusta os que não esperam por tanto. É uma estranha descoberta chegar a um estado em que os pensamentos de sempre se evaporam e a mente esvazia completamente, meio que se adaptando ao que nem sabe ainda o que será. Até tentei me valer dos mesmos assuntos, até mesmo na tentativa de analisá-los com mais clareza, já que estava ali, já que não tinha chuva. Mas nem pude. Estava me moldando ao não pensar e não encontrava  forma de controle. À minha frente, areia, céu e algo de planta e de animal.

Decidi, então, mecanizar: peguei a máquina pra guardar o máximo do momento. Não conseguia captar o que meus olhos viam e ia me frustando. Ia tentando e tentando e dizendo que seria impossível, mas não deixava de tentar. Não dei muito ouvidos a mim mesma, talvez se outra pessoa me dissesse.  Uma cena cômica, escrevo sem vergonha. Agora, coleciono várias fotos quase iguais (com uma diferença de ângulo imperceptível à primeira vista) que servem só pra provar o que estou lhe dizendo. Tenho algumas muito poucas diferentes. Posso até mostrar (nem eu, nem a máquina somos tão boas. Mas somos nós mesmas):





O vento fazia esfriar diferente de outras formas de ventos de outros lugares. Não era fio, era todo e profundo e eu queria sentir até não poder mais. Do amarelo, só se percebia alguma luz e o azul claro do céu. Eu permanecia no superficial. Ou seria o contrário? Fui tão a fundo que não encontrei nada e pude respirar por mim?

O silêncio interior se expandia, mas não acompanhava a desnecessária chuva de palavras que minha boca insistia em derramar - tão significativas que mal lembro delas. Outro pedaço cômico. Mas sei, de certa forma, que, se assim não fosse, se não falasse algo, qualquer coisa, não experimentaria o não sentir, o não pensar. Ainda não existo, nem por um momento, sem palavras - em silêncio completo. E também não podia existir nada daquilo.

Só cheguei aos pensamentos reais das palavras de sempre, depois, quando fui praticamente obrigada a me entregar à necessidade de dormir.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

por Sabrina Telles

Ou tudo isso é saudade
(... ouvindo Adele)

Por que o aleatório não se diferencia e segue a ordem exata dos sons e das coisas? Nunca imaginei tão querendo isso como ontem a noite. Não ocorreu nada de extraordinário, quero dizer, nenhum evento exterior a mim. Estou inclusive me sentindo repetitiva, até mesmo cansada. Mesmo com as novas decisões, há coisas que não mudam. - Ó, que ótimo, tão autêntica. - Tá, não me sinto assim, ou talvez me sinta, mas não quero mais. Não desse jeito, não sem você.
(Era mais simples a ordem de tudo quando eu era sem você. Era mais simples e era menos eu.)

Hoje, talvez felizmente só hoje, quero indiferenciar algumas coisas. Que sejam as mesmas por um tempo pra que eu viva, um pouco, sem muita sede. O mesmo e o diferente são a mesma coisa, só muda, no máximo, de perspectiva?! Ah! Nem vou desenvolver isso! Não sei, não quero essa engenharia de palavras, essa lógica. Complexidade todo tempo, mesmo sabendo que não sou tanto, cansa.

Agora, se as janelas estivessem abertas, a noite já teria dado um descanso à minha mente. Meu corpo precisa ser convencido a levantar e não é simples e não é fácil: é saudade. Será...? Bom... Se ela não for tão grande assim, se for menos que issopela intensidade como está se dando, se sendo, já deve ter mudado de nome.

PS: É mais fácil encarar a própria sombra no chão, do que olhar-se no espelho, mas não posso esquecer: "Cabeça erguida, jovem, o mundo é agora".

sábado, 12 de novembro de 2011

por Sabrina Telles

Agora, simplesmente não me nego

Minhas pernas tremem, minhas mãos se inquietam, estou além do meu lugar físico. A ansiedade contida não respeita mais os espaços recortados pelo que considerava como sensato. Relativiza-se o sensato para dar lugar ao intenso. Desarma-se do medo para uma entrega mais líquida. Agora te questiono, Como certas ações que exigem um grau de coragem tão absurdo podem te fazer tão frágil?

Estou tão próxima de mim mesma. Consigo acreditar que estou querendo menos do que posso, como se fosse um desperdício de existência essa inércia que aceitei como inevitável. Aceitei, confesso, por tempo suficiente para que eu visse que não mais valia a pena. Minhas noites e algumas manhãs vêm me dizendo que é preciso descansar dessa barreira posta pela preguiça de não ser. Porque só pode ser algum tipo de preguiça. E que já não é mais necessária, e que já nem incomoda mais. 

Apesar até mesmo de sentir em certos momentos, não foi retrocesso; eu não me abandonei (muito menos, inutilmente), isso seria absurdo impossível. E, só pra que eu mesma entenda, "nem foi tempo perdidooo. Somos tão jovens, tão joooovens"[pausa para terminar de cantar mentalmente a música]

Não, ainda não encontrei a pedra filosofal, não sintetizei nenhuma nada, não provei nada diferente, não estou vivendo um momento de clareza absoluta como se a chuva tivesse dado uma tregua mais prolongada, também não é nada definitivo - até porque a responsabilidade do definitivo é mais do que meu corpo pode aguentar. Estou simplesmente desatando um primeiro nó. Agora, só tenho que ficar em dias, tenho que ir, em velocidade compatível, me traçando como eu sempre quis. 

Ser mais e melhor em vários e vários e vários novos sentidos. 

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

by Sabrina Telles

Anyway, I need a new way


There's a strong feeling when I tell myself "I have to write things down". Feels like my throat simply closes and I get hungry for something I don't even know what it is - and I love myself more. Clearly it's bigger than my body, because I can barely handle it. And here I am again: the same vulnerability, the same why-and-what-for questions, the same still-haven't-found-what-I'm-looking-for trials. Maybe these are the best thing about life: the unswerable concerns. Maybe, just maybe...

Somehow I'm seeing through new glasses (or trying to believe in that). Like I said before, my feet in others solid grounds are helping.

(The intensity of you in me doesn't remain the same, been taking thoughts and words - like these -, almost unsustainable. Is it Love? Don't know anymore. Time and distance haven't been enough to explain. Doesn't matter anymore.)

These days I'm fighting completely disarmed, without escape valves - like never before. Honestly, I'm a little scared. I have to deal directly with biggest and deepest things now. I have to dare myself, to encourage myself. (I'm sounding like a self-help book, I know, I know... but I can't run away from the right now truth. At least, not here.) The necessity of reaching unknowing levels wants to know why I don't let it scream, why it's takin so long. I think it's because I don't know why. Just really need to figure me all out one more time.

So it's decided: Although it's hard to materialize lifetime desires, to bring life to projects, I'm not giving a break, I can't wait for me any longer. The most obvious and inescapable logic of today. Here I am, here I go again.

domingo, 6 de novembro de 2011

 por Patrícia Soares


O que tenho a nos me dizer



Às vezes
apenas
não se sabe o que dizer, 
não se sabe o que fazer.
Escrever
nem sempre
é uma opção.
Olhar assusta.
O não olhar nos atrai
fortemente. 
O tempo
como o vento
traz a sensação
de leveza
e bem estar
Por um momento
satisfaz e alimenta
o que está vazio.
Nada se vê,
porém
Pára e deixa
a ilusão do cheio
A imensidão do nada
então
é percebida.
O olhar volta a se encontrar.
Segundos
de lembranças
enche-se novamente.
E um pequeno furo
esvazia.

sábado, 22 de outubro de 2011

por Sabrina Telles

As palavras que tenho hoje

Meus pés estão me ensinando a quebrar o silêncio. Ensinando o que eles estão aprendendo com o experimentar de novos arranjos, de novos desenhos de pedras, com o passar dos dias.
"... Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia."

Enquanto aprendo, não te sinto menos - como pensei que fosse acontecer. A saudade mora na impossibilidade do tempo parar agora e eu não poder te ver, na impossibilidade de que algo se desencontrasse e eu ainda não te conhecesse, mora na melancolia das vozes deste lado que me desconcerta as vezes. (Deste lado, eles falam como se pedissem desculpas sempre. Talvez por terem visto a dificuldade da nossa (re)criação, pensam que nos deve vida. A naturalidade das desculpas e sua coerência têm a mesma proporção, Mas nos tornamos tão sólidos no fim das contas que elas são quase desnecessárias.)

Com esse hábito de encontrar causa e efeito pra tudo que se percebe, eu insisto em pensar em porquês de sentir - como se melhorasse as coisas, como se me eximisse de certas responsabilidades.
"... esqueci-me de me deixar lá em casa,
Trouxe comigo o espinho essencial de ser consciente"

Parece que, se se dissolve e se como oxigênio paira, o mundo cabe em mim. E como em poucas vezes eu não quero o mundo, da mesma forma como o rio não pertence ao vento, da mesma forma como você não deveria estar aqui, da mesma forma como o mar não toca o sol, da mesma forma como o cansaço demais não nos permite dormir: com uma certeza que só é certa pra não sofrer com a impossibilidade.

Se sentimentos fossem todos sempre pertinentes, não existiria poesia. Ah! se eu puder sentir além...

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

por Sabrina Telles

Momento bobo de vírgulas e interrogações
que não posso ignorar

Dois dias e meio atrás, como se fosse díficil pertencer a meu próprio corpo, eu flutuava passo a passo de volta pra casa, em um estado pós Clarice de existir, em que até do tempo já tinha perdido a noção, só sabia que era noite e que era eu. Quando passei como uma a mais no meio de todos os outros uns a mais, ligeiramente com fome, carregando o peso do jeans, distraída em pensamentos, meus pés se retardaram... os ruídos se calaram... as cores se vangoghizaram...
                                                                    Você, sentado, calado, encostado na janela do carro, eu vi o cansaço. Era mesmo você? Eu passei sem poder ter certeza, sem poder impedir que me reconhecesse, sem poder evitar minha vulnerabilidade, já fazia tanto tempo que tinha te esquecido em mim, mas estava lá e eu sabia. Era mesmo você? Talvez, a anestesia de ter lido certas palavras certas tenha te inventado em alguns segundos. Talvez, simplesmente, a necessidade de me ver através de olhos que não são meus tenha me emprestado um objeto pra direcionar minhas sensações naqueles segundos, que eram tão enormes que não cabiam em mim. A verdade é que, mesmo com a distância, mesmo sem tanta intensidade mais, nunca consegui apagar suas reticências. Era mesmo você?

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

por Sabrina Telles

De novo, amanhã
(Retrato de um final de dia)

- para Livinha e Pathy -

O céu escurece conduzindo as palavras de um dia a mais. E os sons se misturam às luzes que aparecem uma a uma - e às estrelas. Tudo vai sinalizando e a preocupação do céu é soprar para amenizar o cansaço. Enquanto venta uns fios frios, o laranja vai sumindo. Tudo mais uma vez.

Tudo passa, e anda, e corre, e voa como se uma força autônoma tivesse criado engrenagem em estrelas, em nuvens, em carros, em luzes. Até seu corpo não é mais seu, se anestesiou com o dia. O peso e o prazer são igualmente partes do dever de viver em si. "Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é".

A beleza não é mais dos olhos ou está nas mãos. Não lembra nem que beleza existe, o movimento é padrão. Enquanto venta uns fios frios, enxuga-se a dor de não poder escolher o que constrói de si. Aguenta mais um pouco, tá? Faltam apenas alguns passos. Não se preocupe!

Depois de ter o mundo deitado em sua cabeça, tira o pano enrolado em forma de círculo que não o deixou desequilibrar. Tira o pano, tira o lenço e descalça os pés já descalços: alívio. Experimenta o amor. (Quem será que ama mais? Quem luta pra se conformar, ou quem nem sabe que há conformidade e só luta? Quem chora mais? Quem é que sonha mais? Eu não sei, eu mal conheço o mundo.)

E mais tarde... Ah, amanhã... De novo, as luzes se apagam e as cores reacendem com a mesma intensidade. Uma coragem se espalha por todo corpo silencioso, obediente. É uma "força que nunca seca". Cria-se o mundo, monta-o de novo equilibrado no pano enrolado sobre a cabeça e sai.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

por Sabrina Telles (feat. Anandrielle Bárbara)

Feito combustível

Você não é um rosto
Não é um corpo
Não é papel
Não é líquido
Você não faz sentido
.
Minhas palavras já não mais conseguem
não com a naturalidade que merecem
por serem palavras
de outra forma
ser ditas,
Então agora
eu declaro
com a mais pura clareza
do que não é poesia
do que é translúcido
do que parece silêncio,
Sentindo sinceramente
meus dedos trêmidos
e intensos
se articulando
se mostrando.
Eu expresso
:
Tem uma força em mim que
não sou eu que
não é minha e que
me move
(pra um lugar muito além da imaginação)
...
Você existe !

quinta-feira, 21 de julho de 2011

por Sabrina Telles

Respirar e inspirar-se
(ao som do Songs In A Minor)
Olhar é o que há de mais incrível. Sentir através de olhos que são os nossos, mas estão em outros. E me transporto como se pudesse estar respirando daquele corpo e, em segundos, vivo toda sua história: Suas dores, suas delícias, suas verdades. Em um processo criativo instantâneo, experimento cada todo e sigo atravessando o olhar com as ruas.
Ouço o ar.
E vem a vontade de imprimir em mim a marca de tudo, gastar meu eu um pouco pra sobrar espaço pra algo maior. Uma fome incontrolável de absorver, de internalizar, de ser tudo que olho.
Respiro os passos.
O que restou já era suficiente, mas me redimensionei e, diante do que vejo, sou tão pequena. Surge então a vontade mais profunda de mudar por simplesmente não querer mais o que sou, nem o que doo. Sou eu, o mundo e as possibilidades de ser. Tudo é inspiração. Quero ser enorme. Quero que tudo que vejo seja eu.
E continuo andando.
De repente, me surpreendo com você em mim. Lembrar você interrompe meu momento e reparte minha atenção e minha vontade de estar em tudo com a ilusão de que só você me basta. Tento logo recompor meus pensamentos e minha mente se expande absurdamente, embaralhando-se. Agora quero você, a rua, os passos, o ar, tudo, tudo, tudo, tudo, tudo...

Ah, se eu pudesse eu olharia e simplesmente olharia o resto dos tempos.

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